Divagações de Martinha

 

Cartilha Literária

Pra matar a saudade de teclar os dedos nervosamente aqui, eis que escolhi um assunto fabuloso. Livros. Oi? Errei. O Mundo literário e seus vastos horizontes. Sobre livros eu falo sempre, então não vale.

Estamos vivendo uma nova era literária. Um novo tempo. Novos ventos soprando forte, novas referências. Tendências e mais tendências surgindo como espinhas em peles adolescentes…É claro que meu foco se encontra no mundinho das escritoras de romance, okay?

Se você não considera o gênero Romance de Mulherzinha, como um gênero realmente, então não continue…porque eu só vou falar disso.

Okay…a moda é regida por tendências que surgem e ressurgem espontaneamente no mercado. O mesmo se aplica aos livros e seus diversos estilos narrativos.

Vejamos…florzinha, de bolso, capa dura, capa mole, paperback, brochura, Ya, NA, suspense, drama, históricos, contemporâneos, paranormal, sobrenatural e o escambáu…todos nós já nos deparamos com essas palavras chaves que definem nossos livros.

Daí a moda evolui de acordo com a tendência do momento. Tendência de livros de vampiros teen. Vampiros suculentos e trabalhados no couro. Narrativa em primeira pessoa, terceira pessoa e whatever. Romances adolescentes, juvenis, primaveris. Roqueiros tatuados, motociclistas selvagens, condes e lordes presunçosos. Dramas familiares, lutadores compulsivos e agressivos, mocinhas tímidas ou com passado sombrio. Pegação forte, delicada, pra lá de Marrakesh…

Então. Tudo vai ser desencadeado por tendência. Marcadores…lembrem-se dos marcadores. Antes e Depois de…algum escritor.

* J.K. Rowling é um marcador para a faixa etária de leitores compulsivos. Antes eram apenas as pessoas mais velhas que dedicavam seu tempo a um bom livro. Adolescente que era adolescente tinha ódio mortal por literatura. Até conhecerem o Harry, a Hermione e o bonitinho ruivo que esqueci o nome e agora estou com preguiça de procurar no google.

* Stephenie Meyer da Saga Crepúsculo ( Não adianta discordar…a mulher é um marcador). Milhares de jovens e nem tão jovens ( Eeeeu) completamente psicóticos pelos vampiros adolescentes brilhantes e a tapadinha garota deslocada.

* E.L. James . Ela é um marcador praticamente Marca Texto. Com cores brilhantes. Chamativas.

Uma marcou a faixa etária. Outra marcou um estilo. A terceira marcou um universo.

Como? A Primeira fez com que romances sobrenaturais e afins ganhassem notoriedade.

A Segunda reduziu a faixa etária dos personagens, trazendo uma luz brilhante sobre os adolescentes, fazendo com que o gênero Young Adult ganhasse uma projeção absurda.

Daí o sub Gênero New Adult, veio como marcador logo depois que os adolescentes deixavam de ser adolescentes e ficavam mais velhos…hummmm…

E aí veio o grande filão: a taradienha super hot que repaginou os teenagers danadinhos tacando gasolina no fogo. Explosão. BDSM ganhou projeção e o que teve de muléh pedindo uma chicotadinha carinhosa, ou afins, não está no gibi.

O gênero NA é o que mais mostra versões tendenciosas. Como citei ali acima:

Roqueiros, tatuados, sarados, machucados, dominadores, passado trágico, drama familiar, solitários e blablabla.

Tudo isso embutido em livros com tempero hot, mega chilli pepper ou light.

E aí vem a grande reclamação de muitos leitores. “Não aguento mais livro hot sem sentido”. “Não aguento mais livro hot, quero ler um florzinha.” “Cara…as histórias são sempre as mesmas…”

Gentem…existirão romances para seus leitores e leitores para vários romances. Tipo, espécie, cor, raça, categoria, gênero, subgênero, número de folhas, diagramação, capa e tchururu.

Não vai haver 100% de aceitação para cada livro por 100% de aceitação de cada leitor. Vai ter gente que vai amar livro hot e não vai enjoar nunca. Vai ter gente que nunca vai querer ler, ou sequer já tenha lido um livro hot. Ou histórico, ou sei lá.

Cara…tem gente que não conhece Nora Roberts de nunca ouvir falar. Tem gente que nunca leu, mas odeia. Tem gente que já leu e odiou. Tem gente que nunca leu, mas não sabe o que está perdendo. Tem gente que leu e é psico, louco ou surtado pelo que ela escreve ( Eeeeeuuuu ).

É assim…nosso universo literário permite que haja um movimento frenético de crescimento inigualável no mercado editorial brasileiro. São milhares de novas autoras que estão surgindo de diversas plataformas literárias, das mais diversas maneiras e jeitos.

E isso é lindo. Porque significa que vai ter livro pra todo mundo e vai ter leitor para cada autor. Vai ter escritor que vai se especializar em livros hot e vai vender muuuuuito, assim como este vai ter um séquito de leitores vorazes que se identificam com literatura no estilo. E por aí vai. E vejam que estou chamando de Literatura.

Não acredito em nenhum movimento cult mega crítico que queira detonar as autoras de livro hot, classificando seus livros como algo de outro mundo, que não o literário.

Vejam bem. Até mesmo nos hots existem subgêneros. Eu por exemplo, não consigo escrever um mega hot. Escrevo dentro dos parâmetros que meu rubor facial permite. Para alguns vai ser categorizado como “hot”, para outros como clichê, ou florzinha. Light, fofo, água com açúcar…seja o que for.

Alguns livros vão precisar de ventilador na potência máxima, outros de lencinhos e mais alguns de Rivotril…ou antidepressivo.

E sabe o que? gente…isso é lindo…porque só em você ter alguém dedicando um pouco do seu tempo para ler uma obra sua, é algo grandioso. Pense que ele poderia estar lendo um Nora Roberts, um Sylvia Day, um sei lá mais quem. Mas não. Aquele leitor parou e leu a tua obra e caraca! Ele gostou! Ou não, mas está totalmente dentro do seu direito.

O que digo é o seguinte: não generalize uma coisa sem ao menos conhecê-la. Fazer a opção em não ler determinado tipo de livro é super válido. Mas daí a detonar quem lê, é sacanagem. Mais sacanagem ainda detonar quem escreve.

Porque nossa mente é um campo vasto de ideias e as pessoas que conseguem colocar essas mesmas ideias num papel, e passar pela aprovação e crivo de vários leitores, já pode se considerar vitoriosa.

Histórias fantasiosas, nada realistas, clichês, vulgares, medonhas, sinistras, tocantes, dramáticas, intensas, delicadas, marcantes…cada livro, cada autor e cada leitor vai se identificar e ser feliz. Ou não. O que você precisa é se encontrar.

Posso dizer uma coisa que disse em uma divagação há anos atrás. Temos escritores aqui, nesta leva de ventos fluidos e campos verdejantes, que se equiparam perfeitamente e não deixam nada a desejar a autores internacionais. O que precisamos quebrar é o tabu de que autor nacional não vale o centavo que você gastaria num livro. Que não vale seu tempo e não merece sua atenção.

Com este pensamento, você, leitor, pode estar deixando de ganhar um autor “amigo”, deixando de ler uma obra cativante, deixando de conhecer alguém que se tornará um nome grandioso um dia. Deixando de ter tido a oportunidade de fazer parte da história daquele autor. Sabe a famosa história do “comprar o livro pela capa” ? Essa máxima vale também para a capa literalmente, além da história em si. Vai ter gente que vai amar uma capa xis e vai fazer questão de ler. Como vai ter gente que vai odiai e sequer vai dar uma chance de ler. Mas daí, existem as duas faces da mesma moeda. A capa linda pode muitas vezes camuflar um livro que você não curtiu. Ou a capa que você odiou pode muito bem estar “enfeiando” uma história que você iria gostar muito se lesse.

Pode parecer que estou falando de mim, mas na verdade falo de todas…toda a leva de autoras fantásticas que estão aí, pedindo para serem lidas, apreciadas, elogiadas, criticadas ( essa parte é foda…mas existe ).

Eu honestamente nem tenho pretensão de criar um “monstro” super hit como tia Stephie e Tia James. ( Queria o money que elas ganharam, mas nem sempre querer é poder…). Eu me contento em escrever algo prazeroso de se ler, algo divertido, algo leve, que possa tirar a mente do leitor ao menos um pouquinho, das agruras do dia a dia, trazendo um sorriso sonhador em seu rosto.

Quando consigo isso, quando alguém elogia meu livro, diz que amou o personagem, que amou a história, eu fico pra lá de feliz. Porque consegui aquilo ao que me propus: entretenimento. Seu e meu.

Leiam gente. Leiam sempre. Leiam muito. Ler não faz mal. Ler não ofende. Não gostou? fecha o livro e parte pra outro, porque livros hoje em dia, de romance, é kinen pacote de biscoito: acabou um, tem mais 18. Hahahahahahah…

Dedico este post a toooooodas aos autores mega blasters que existem no país. A todos os leitores mega ultra lindos que amam a literatura nacional e dão uma chance aos autores.

Vocês são lindos. Sério gente. E agora vou embora porque falei pacarái.

 

Bjuuu

2 comentários:

  1. É bem por aí, Martinha. Lembro que eu comecei a gostar dos nacionais lendo Zibia Gasparetto. E foi bem punk, porque fiquei dividida entre opiniões de leitores que "metiam o pau" na coitada. Diziam que o livro dela era uma porcaria e blá-blá-blá e por ser livros espiritualistas, havia também os espíritas para "taca-lhe o pau". E eu como cresci com ensinamentos cristãos, comia corda ao ler todas as críticas. Foi preciso um amigo virtual, praticamente me chantagear e dizer: Ou você lê um livro da Zibia e depois critica, ou não falo mais com você...hahaha Tá bom! Pedi pra ele indicar um livro e ele indicou “Ninguém é de Ninguém”. E, vou te contar... Foi um dos melhores livros que li na vida. Sério! Chorei rios e como na época eu passava por alguns problemas no casamento, então ele me caiu como uma luva. Os livros da tia Zíbia são aqueles que mostram a vida real, e te dão um norte quanto a tomar iniciativas, pensar antes de falar e, melhor ainda, ensinam a como enfrentar as adversidades desse mundo cão. São livros clichês? Podem até ser. As histórias são bem parecidas, são. Mas, e daí? Eu amo tudo o que ele escreve e a prova disso é que tenho quase todos os livros publicados por ela. E de muitos outros autores do gênero. Então, foi uma grande lição: Eu nunca devo criticar nenhuma obra, antes de ler. E assim foi com 50 tons. Todo mundo lendo, porque tinha muito “tico-tico no fubá” e até então eu continuava naquela vibe de livros policiais, romances, muito Sidney Sheldon e Agatha Christie, e então pensei: “Peraí, vou ler esse livro da tia sacana”. Li e gostei. Saga crepúsculo? Gosto que me enrosco. Livros de banca que tanta gente chama de cultura inútil? Pois eu amo desde a adolescente. Acho que todo mundo precisa conhecer antes, pra depois falar. Tanto no mundo literário, quanto na vida! Fazendo isto, a gente não deixa de conhecer livros fodásticos e pessoas mais fodásticas ainda. Beijosss!

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  2. Nossa adorei seu texto, sempre te acompanho , mais hoje tenho que comentar ..... também acho lindo todos esse gêneros , porque quer dizer que têm pra todos e com isso subentende que todos podem ler e só escolher o gênero que gosta e bora ler gente , ...fantástico .Agora sobre as autoras nacionais ,tenho que admitir , comecei a ler Janice Diniz , com a compra do meu Kindle e pronto me apaixonei e com ela veio Marcia Rubim , Deise Muller, Maribel Azevedo tantas outras que passei a adorar, agora só falta é tempo mesmo pra ler todos.

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