Divagações de Martinha

Curiosidade Materna

Gente, o dia das mães está aí...O fim de semana é de comemoração. Ou não. Muitas não tem mais a presença das mães queridas. A saudade prevalece no coração. Mas o mote desta divagação é sobre um aspecto interessante que eu reparei já há muito tempo nos livros.

Vamos ver se vocês conseguem concordar comigo. Ou se vocês foram atentas e observaram o mesmo que eu.

Por algum acaso, vocês já repararam que a grande maioria das mocinhas não tem laços familiares? A grande maioria das mocinhas não tem mais a presença da mãe, ou pai. Muitas vezes esses foram perdidos em acidentes trágicos, ou quando a mocinha era criança. Às vezes a mocinha tem a presença de uma avó, que cuidou dela desde a tenra infância...ou uma tia...

Mas é muito comum a mocinha ser sozinha no mundo...E quando o herói a encontra, ela tem razão em ter dúvidas de se amarrar, porque não conhece a dimensão do amor incondicional.

Em contrapartida, os mocinhos normalmente tem família...Já repararam isso? Sério...Comecem a observar...Eu já vinha reparando neste detalhe há muito tempo...É engraçado...Porque será que a maioria das autoras coloca a mocinha como um ser solto no mundo, sem eira nem beira, sozinha e abandonada, sem raízes? E não muito raro é o fato dessas mocinhas serem pobres, ou ralarem igual condenadas para bancar o aluguel...E claro...O cara mega rico, aparece e a luz no fim do túnel surge...A mocinha é cheia de dúvidas e inseguranças...Como ela não tem laços afetivos mais contundentes, ela muitas vezes se vê perdida numa maré de sentimentos e não sabe identificar uma gama deles. Ela é ingênua, ou sabida demais e muito cética. Ela é doce ou arredia. Meiga ou nervosinha. Whatever..Ela é a síntese da mocinha que tanto amamos e lemos.

Mas porque não ter laços? Será que facilita na hora de fazer a mocinha tomar decisões mais ousadas e drásticas, como se embrenhar em uma viagem louca para trabalhar para um empresário megalomaníaco e tarado? Será que fica mais fácil ela se entregar de corpo e alma a um casamento de conveniência com um grego multimilionário que a esteja chantageando?

Será que é mais plausível, para que ela possa largar sua vida mortal e se inserir num mundo sobrenatural cheio de melindres e perigos ocultos?

Sério...Vocês já divagaram sobre isso? Vamos recapitular as mocinhas mais conhecidas em nosso meio... Eve Dallas...Não tem mãe...E o pai era um monstro ambulante que foi para o brejo...A mãe dela não era melhor...Na verdade, a tia Nora adora uns conflitos maternos...A maioria das suas personagens tem problemas de relacionamento quando tem a presença de suas mães na história. Mas a Nora também compoe mães super presentes, como da série McGregor. A mãe da Trilogia da Fraternidade é difícil...afff...

Beth Randall da Irmandade da Adaga Negra...Não tem mãe...O pai era o Darius, que morre logo no início da história...O Wrath chega e ela cai dentro do mundo dele com tudo...uiiii...

No mundo sobrenatural, as histórias da Jacquelyn Frank , os Nightwalkers, também apresenta mocinhas sem a figura materna.

Elizabeth, a Whitney, a Victoria, a Sheridan...Todas heroínas históricas da Judith McNaught...O que elas tem em comum? Não tem mãe...E quando tem o pai, ele é distante... a Alexandra tem mãe, mas ela é uma mercenária que armou para sua filha  casar com o Jordan...Mocréia...Mas pelo menos a Alex se deu bem...

Quase todas as mocinhas da Diana Palmer, em Jacobsville, não tem mãe...Isso é fato...Elas são também, em sua grande maioria, trabalhadoras e pobres...

A Tory, queridinha do Acheron, não tem mãe...Ou pai. Apenas o avô, mas mora distante. Isso sem falar nos outros personagens, claro...

A Raven, Shea, Alexandra, Nathalia e outras mulheres cárpatos também não tem mãe...A única que apresenta a figura materna é a Joy...pelo que nos lembramos...

Na série KGI, as mocinhas não tem mãe...na Elite Ops, da Lora Leigh...a maioria das mocinhas não tem a mãe...

A maioria das mocinhas da Linsay Sands também são órfãs de mãe.

A Deborah Simmons com a família De Burgh , a maioria das mocinhas tem pai, mas...a mãe...cadê?

Na série Midnight Breed, a Dyllan perde a mãe no livro, mas as outras mocinhas não tem mais a presença das mães...ou nunca tiveram...

É claro que temos os livros que a figura materna é imponente e importante para o desenrolar da história ...mas na sua grande maioria, os personagens que são influenciados por elas são os mocinhos...A família Bridgerton, da Julia Quinn, tem uma mãe sensacional...são quatro mulheres e quatro homens.

Citando a KGI, a mãe dos Kelly é o máximo também... mas percebam que são os mocinhos o foco...

A Linda Howard tem os irmãos Mackenzie, e a mãe é uma coruja criadora de confusões quando se metem com seus filhos...mas só tem uma mocinha...o resto são homens...

Observaram? As mocinhas, nossas heroínas, são construídas pelas autoras , dentro de um universo onde o amor de mãe ou é inexistente, ou ficou no passado.

Isso é um fato comprovado. Talvez vocês nunca tenham se atentado para este detalhe...Mas passem a observar...eu não estou divagando à toa...isso era uma coisa que eu já tinha reparado antes...

E acredito na minha teoria fugaz...A mãe é uma figura primordial para uma mulher na hora de tomar decisões importantes. E muitas de nós ainda somos completamente tomadas pela opinião que nossas mães possam ter de nós. Muitas vivem dentro da cobrança eterna de ser perfeita, de ser uma filha mega especial, bem aventurada, rica e poderosa, profissional reconhecida e um exemplo de conduta. Quem é mãe sabe que o que queremos para nossos filhos é só sucesso. E quem é filha sabe que muitas mães cobram horrores de seus filhos, especialmente filhas. Estamos num mundo regido pelo feminino máximo de todos. A figura materna.

Daí, acho que as autoras se abstem de colocar a presença da mãe em suas histórias, para evitar os conflitos eternos e o famoso cordão umbilical ainda ligado emocionalmente. As mocinhas podem tomar suas decisões baseadas somente em seus sentidos e instintos.

E falo isso por experiência própria...As minhas mocinhas criadas nos meus contos também não tem mãe! Putz! O bicho me picou! Porque será que acabei entrando no time das autoras que abafam a figura materna? Acho que no meu caso tem bem a ver com o poder de decisão e saber que não estava deixando nada para trás...Nenhum laço que pudesse gerar sofrimento...Veja o caso da Laura que vai para o passado...Se ela tivesse a mamis dela, ela não iria... E as mocinhas que sucumbem aos bofes vamps...Se elas tivessem as mães, ficaria mais dificil a despedida do mundo mortal...

Eu sinto falta de ler livros onde a figura materna é presente e concede os conselhos devidos. Acho que li um livro da Nora Roberts onde a mãe da mocinha agia como uma mãe, mas sem interferir nos direitos de escolhas da filha. Ela dava sua opinião, expunha seus conselhos, mas deixava claro que a filha deveria trilhar com os próprios pés os passos para seu futuro.

Isso é bárbaro. Porque a mãe é tudo. Eu tenho certeza que muitas aqui devem ter mães conflituosas, mães mais compreensivas, mães mais duras e inflexíveis. Algumas tem em suas mães as melhores amigas.

Mas mesmo assim, mãe é mãe. Só muda de endereço. Feliz Dia das Mães a todos!!!

Bjuuuuuuuuuuuuuu

2 comentários:

  1. concordo contigo, Martinha Mãe só troca o endereço. Também já tinha observado que muitas mocinhas não tinham laços familiares. Feliz Dia da Mães, e também das Tias/Dindas como é o meu caso.

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  2. Adorei Martinha...Sabe que nunca tinha notado isto?? Vou me ater mais neste quesito daqui para frente...heheheh...
    Sabe o que eu falo? Que não é que mãe é tudo igual, são os filhos que são todos iguais... por isso que as mães falam e fazem tudo da mesma maneira....heheheh
    Martinha, um feliz dia das mães para tí e para todas as mamães maluquetes e divagantes de plantão :-)
    Beijão para todas.

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